Crânios decepados e pregados revelam macabro ritual de ‘cabeças quebradas’

Crânio cravejado com prego gigante

Cabeças eram decepadas e cortadas por pregos gigantes – Foto: Divulgação/MAC-Ullastret a De Prado/ND

Uma nova pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona descobriu evidências de um ritual popular entre os povos pré-históricos na Espanha, o das “cabeças quebradas”. Os moradores das regiões Puig Castellar e Ullastret costumavam decepar e cravar pregos em crânios na Idade do Ferro, mas por razões distintas: punir inimigos e homenagear heróis de guerra.

No novo estudo, pesquisadores examinaram sete crânios decepados de dois sítios arqueológicos na costa sudeste da Península Ibérica, com o objetivo de identificar de onde vieram as pessoas decapitadas.

“Nossa premissa foi que, se fossem troféus de guerra, não viriam dos locais analisados, enquanto que, se fossem indivíduos venerados, provavelmente seriam locais”, disse Rubén de la Fuente-Seoane, arqueólogo da Universidade Autônoma de Barcelona e autor da pesquisa.

Os cientistas usaram um método chamado análise de isótopos de estrôncio para identificar quais das sete pessoas eram da região. Como explica a pesquisa, o elemento estrôncio que fica nos ossos e dentes durante o crescimento e desenvolvimento reflete a dieta de uma pessoa, indicando o local em que vivia.

Sítio arqueológico de Puig Castellar, onde praticavam o ritual das cabeças quebradas

Sítio arqueológico de Puig Castellar, na Espanha – Foto: Reprodução/ND

Como era o ritual das cabeças quebradas?

A partir dessa análise, os pesquisadores descobriram que três em cada quatro cabeças decepadas no sítio de Puig Castellar eram de pessoas não locais, enquanto no sítio de Ullastret, apenas um dos três crânios eram de uma pessoa não local.

Ambos os sítios arqueológicos, que estão a cerca de 100 quilômetros de distância um do outro, já abrigaram cidades antigas que foram abandonadas logo após a Segunda Guerra Púnica e a chegada dos romanos, em meados do fim do século III a.C.

“Este resultado sugere que a prática das cabeças quebradas era aplicada de forma diferente em cada local”, disse de la Fuente-Seoane, e que “a seleção de indivíduos para o ritual de cabeças quebradas era mais complexa do que se pensava inicialmente”.

Ilustração 3D de como era a província de Ullastret, na Espanha

Ilustração 3D de como era a província de Ullastret, na Espanha – Foto: ullastret-museum-costa-brava-virtual-tour-2048×1229

Os pesquisadores também levaram em consideração os lugares onde as cabeças decepadas foram encontradas. Em Puig Castellar, todos os crânios de não locais estavam em paredes externas ou perto delas.

Isso pode indicar que que foram pregados para as pessoas verem, como uma forma de demonstrar poder sobre um grupo fora daquela comunidade.

Em Ullastret, por outro lado, os crânios locais foram encontrados em residências, indicando que eles podiam ser exibidos para homenagear membros importantes da comunidade.

Os pesquisadores destacam ainda que essas descobertas se alinham com relatos históricos dos gregos e romanos, nos quais diziam que os gauleses do sul da França cortavam as cabeças dos inimigos e as mantinham em caixas e que os mercenários ibéricos carregavam cabeças inimigas empaladas em suas lanças.

No entanto, o pesquisador afirmou que são necessárias mais pesquisas sobre o assunto para descobrirem mais detalhes sobre o ritual das cabeças quebradas.

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