STF com pressa? Denúncia contra Bolsonaro e aliados era a única na fila para ser julgada

Caso de venda de emendas por deputados do PL, que poderia adiar análise sobre ex-presidente, foi, a pedido dos advogados, para o plenário virtual. Apesar da exploração política da agilidade do Supremo em agendar a análise da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados que, segundo a Procuradoria-Geral da República, integram o núcleo central da articulação de um golpe no Brasil, o timing se explica em uma série de questões regimentais e práticas.
Não havia outra denúncia apontada para julgamento no plenário físico na Primeira Turma do STF, a que vai decidir se Bolsonaro e seu grupo se tornarão réus. O caso contra o ex-presidente, portanto, era o único na fila para julgamento.
Por ironia do destino, a única acusação que poderia estar a frente da feita contra Bolsonaro e aliados é a que pesa contra três deputados do PL. Eles são agora réus por venda de emendas, num caso que mistura suspeitas de corrupção e até ameaça de morte. Mas este processo, a pedido dos advogados dos deputados, foi movido do plenário físico, onde os ministros proferem votos de público, assim como as defesas e a PGR, para o virtual, onde tudo é feito por escrito.
A estratégia dos integrantes do PL, portanto, deixou o caminho livre para a queixa contra Bolsonaro ser a única na fila de pendências.
Presidente da turma, o ministro Cristiano Zanin determinou, desde o início de sua gestão no comando do grupo, que daria um prazo mínimo de cinco dias entre a apresentação de um caso ao colegiado e a marcação do julgamento. No caso de Bolsonaro, o ministro consultou os colegas e avisou que gostaria de ampliar o tempo, deixando uma distância de 12 dias entre a finalização do rito burocrático de apresentação da queixa e o julgamento.
Segundo relatos colhidos pelo blog com integrantes do STF, o ministro ainda indagou se todos os integrantes da Turma (ele, Alexandre de Moraes, Flávio Fino, Cármem Lúcia e Luiz Fux) estariam aptos a participar de sessões extras. Explicou que, como são oito denunciados no total, gostaria de garantir ao menos duas horas e meia de sustentações orais para os advogados dos acusados.
Ao garantir a presença de todos por três sessões, Zanin fixou a data do julgamento no dia 25 de março.
O ex-presidente Jair Bolsonaro criticou o andamento do caso, insinuando celeridade intencional no rito.
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