Munha, a menta nativa da Cordilheira dos Andes que conquistou o mundo


Espécie é encontrada em trilha para um dos cenários mais bonitos do Peru. Uso medicinal é amplo. Munha (Minthostachys mollis)
B / Inaturalist
Visitar o Peru é uma aventura que incluiu conhecer a tradição do antigo povo inca, contemplar paisagens únicas e fazer a experiência de conhecer sabores típicos das maiores montanhas das Américas.
A equipe do Terra da Gente encarou uma trilha de setenta quilômetros na região de Cusco durante uma expedição pelo país. Um caminho percorrido em cinco dias, marcado por locais cinematográficos. O desafio é que o trecho é realizado quase todo a pé e com o auxílio de mulas em alguns trechos.
Paisagem da Cordilheira dos Andes, no Peru
Giuliano Tamura/TG
A caminhada começa em Challacancha, distrito de Mollepata. Enfrentar as trilhas exige preparo físico e mental. Elas cortam a cordilheira a três mil e quatro mil e seiscentos metros de altitude. Em condições assim, o organismo sente mais cansaço. Por isso a tática é ir sem pressa, mas manter o ritmo constante das passadas.
Assim que se avança pelo circuito chamado Salkantay, nome de um dos picos na região, aparecem vales enormes a se perder de vista. E nesse caminho estreito, que cruza várias nascentes de água, foi possível encontrar uma erva andina chamada munha, “muña” em espanhol.
Essa planta pertencente à família Lamiaceae, que abrange muitas espécies de ervas aromáticas. Ela também se apresenta como arbusto, subarusto, árvore e liana, um tipo de cipó. A bióloga Carolina Ferreira explica que a munha tem o nome científico Minthostachys mollis.
Planta andina é fonte de cálcio e fósforo
Giuliano Tamura/TG
“O gênero Minthostachys deriva das palavras gregas minthe (menta) e stachys (espiga) e o epíteto específico mollis significa “suave” ou “branda”. As espécies deste gênero se assemelham às do gênero Mentha, devido à aparência e seus óleos essenciais. Já o nome popular munha tem origem na língua quêchua (língua originária dos povos peruanos)”, complementa Ferreira.
A Minthostachys mollis ocorre por toda a Cordilheira dos Andes, da Venezuela à Argentina. É um gênero que compreende 17 espécies de ervas aromáticas, que são de interesse pela facilidade da obtenção dos óleos aromáticos encontrados nas folhas. As plantas desse gênero possuem propriedade digestiva, sedativa, antiespasmódica, broncodilatadora, antirreumática, inseticida, antimicótica e antiparasitária, relata a botânica.
Ao caminhar pela trilha Salkantay , o guia de turismo Alex Mamani sugeriu pegar umas folhas de munha , esfregar nas mãos e inspirar o cheiro com força, abrindo bem os pulmões. Nas folhas são encontradas as estruturas secretoras de óleo essencial.
Quando se esfregam as folhas na mão, os óleos são liberados, por isso é possível sentir esse odor extremamente agradável. Os peruanos têm esse hábito de cheirar o “perfume” da munha para facilitar a respiração no alto das montanhas, entre outras utilidades.
Munha pertence à família Lamiaceae
Giuliano Tamura/TG
A botânica Carolina Ferreira explica que a munha possui diversas propriedades e é consumida em infusão, sendo tradicionalmente utilizada como analgésico, digestivo, carminativo, antiespasmódico, anti-séptico, contra reumatismo e para doenças respiratórias.
Além disso, é fonte de cálcio e fósforo. Em vários artigos a espécie é mencionada para uso em infusão para lidar com o mal-estar gerado pelas altas altitudes.
“No entanto, é necessária a informação de que o consumo frequente de munha pode causar toxicidade hepática; além disso não é recomendado o uso por mulheres grávidas ou lactantes. As partes aéreas de Minthostachys mollis contém eucaliptol, cuja ingestão pode ser tóxica para a saúde”, complementa a bióloga.
Quanto a cultivar a munha do Peru , os especialista dizem ser possível, desde que fosse plantada em clima adequado, como regiões montanhosas de Minas Gerais e São Paulo, por exemplo. Mas, por enquanto não há mudas ou sementes da espécie disponíveis para venda no Brasil.
Portanto, para apreciar a munha há duas opções: ou adquirir os saquinhos de infusão prontos ou o melhor, planejar uma viagem ao Peru , fazer a trilha e vivenciar essas experiências no próprio local. Certamente será algo marcante, assim como toda a magia que envolve a Cordilheira dos Andes.
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