Crédito amplo teve forte avanço apesar de juros altos, diz ata do Comef

O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central avalia que o crédito amplo apresentou crescimento forte apesar do ambiente marcado por elevação da taxa básica de juros e pelo alto endividamento de famílias e de empresas.

A ata da reunião de fevereiro do Comef, divulgada nesta quarta-feira, apontou que o ritmo de crescimento do crédito bancário seguiu acelerando na carteira às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que já apresenta materialização de risco e endividamento elevados.

Em relação às famílias, além da aceleração do crédito nas modalidades de maior risco, houve segundo o BC leve piora na qualidade das concessões do crédito não consignado.

A taxa básica de juros Selic está atualmente em 13,25% ao ano e o Banco Central já indicou novo aumento de 1 ponto em março.

“As famílias estão com comprometimento de renda e endividamento elevados e em ascensão para todas as faixas de renda”, apontou o documento, ressaltando que o mercado de capitais segue crescendo em ritmo superior ao do crédito bancário e não apresenta sinais de inflexão.

“Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, completou.

Segundo a ata, outro ponto de atenção é o cenário global prospectivo, que ainda apresenta riscos que podem levar à materialização de cenários de reprecificação de ativos financeiros globais.

“Há incertezas acerca do ritmo da atividade, da extensão do período de juros elevados e dos níveis de equilíbrio das taxas de juros no longo prazo, da sustentabilidade fiscal, do reposicionamento das políticas comerciais e dos eventos geopolíticos”, destacou o documento.

Diante disso, o Comef ressaltou que segue entendendo que políticas macroeconômicas que aumentem a previsibilidade fiscal, que reduzam os prêmios de risco e a volatilidade dos ativos contribuem para a estabilidade financeira e, consequentemente, melhoram a capacidade de pagamento dos agentes.

Em relação ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), a ata da reunião do Comef apontou que o crédito bancário manteve seu ritmo de crescimento no quarto trimestre de 2024, mas que em contrapartida o crédito obtido via mercado de capitais não apresenta sinais de inflexão, a despeito das alterações nas condições financeiras.

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