O terceiro e último episódio da série documental “Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça” estreia no serviço de streaming Max nesta terça-feira (1º). A obra revisita, em meio a depoimentos e recriações de cenas, o caso real da maior tragédia marítima do Brasil. Em entrevista à CNN, a equipe da produção comentou sobre a mensagem trazida com a recontagem dos fatos.
Na virada de 1988 para 1989 alguns eventos promovidos para celebrar o novo ano consistiam em jantares luxuosos em embarcações que percorriam a praia do Rio.
Um deles foi promovido no Bateau Mouche IV, embarcação que acabou acomodando mais pessoas do que comportava e que possuía diversas irregularidades. Dos 142 presentes, 55 morreram na tragédia.
O caso se tornou um símbolo da impunidade no país. Décadas depois da tragédia, nenhum dos envolvidos está preso e apenas uma família recebeu indenização.
“Em um caso como esse, não tem ninguém saiu ileso quando falamos das vítimas e familiares delas”, comentou Tatiana Issa, diretora e produtora do documentário, também responsável por “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”.
“É muito importante as pessoas entenderem isso. Uma tragédia dessa, não existe história, final feliz, todo mundo fica com um trauma”, complementou.
Segundo a profissional, a série traz questões muito profundas para serem discutidas pela sociedade.
“Esse caso é suco de Brasil, onde a gente vê ali ganância, corrupção, morosidade da justiça, suborno, a não penalização dos responsáveis”, relatou Issa. “É uma história que poderia se encaixar em tantas outras histórias do Brasil atual. É importante que a gente debata e eu acho que essa série vai trazer impacto grande em quem não conhecia a tragédia.”
“Ela vai impactar quem ouviu falar, quem viveu aquilo, quem era da época e ouviu falar, mas não sabia detalhes. Espero que levante discussões importantes”, concluiu a diretora.
Filmada no Rio de Janeiro, a produção revisita o impacto do naufrágio por meio de imagens de arquivo e mais de 30 entrevistas exclusivas com sobreviventes, familiares das vítimas, advogados, especialistas e pescadores envolvidos no resgate.
“No âmbito pessoal é doloroso, porque a gente está ouvindo histórias muito tristes, devastadoras”, disse Tatiana Issa.
Junto a Guto Barra, diretor e produtor da produção que também atuou em “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”, Tatiana ainda refletiu sobre os desafios de não ir além do limite na dramatização e trazer um resultado que fosse “respeitoso” a todas as vítimas.
“Não podíamos ocupar um espaço de dramatização, de algo novelesco. Então, assim, encontrar essa fórmula foi uma coisa muito difícil. A gente teve uma equipe incrível que colaborou muito no processo todo. Ficamos bem felizes com o resultado, acho que conseguimos passar a emoção e também os pontos de importância da história, mas sem espetacularizar demais, sem chegar num lugar que desmerece a a parte documental”, concluiu o diretor.
Assista ao trailer de “Bateau Mouche: O Naufrágio da Justiça”
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Este conteúdo foi originalmente publicado em Caso “Bateau Mouche” é “suco de Brasil”, refletem diretores de documentário no site CNN Brasil.